Neste sábado, 19/09/2026, aconteceu o Data Saturday 2026, o maior evento de tecnologia e dados do Espírito Santo. Foram mais de 1.000 inscritos e 376 participantes presentes ao longo do dia, entre palestras, comunidade e muita troca entre profissionais da área.
Como um dos organizadores voluntários do TIES, ajudei a criar algo novo para esta edição: em vez de apenas palestras, um workshop completo, com inscrição própria, para quem quisesse sair de casa com a mão na massa em Databricks. Foi uma única turma, na mesma sala, do início ao fim do dia — pela manhã, Engenharia de Dados; à tarde, Agentes de Dados.
A primeira trilha foi voltada para quem está começando ou quer solidificar a base em Engenharia de Dados com Databricks. A proposta era simples de descrever e ambiciosa de executar: sair do zero e construir, sozinho, uma arquitetura medalhão completa (Bronze → Silver → Gold) usando dados públicos reais.
Começamos pelos fundamentos da plataforma — Unity Catalog e a governança em três níveis (catalog.schema.objeto), Delta Lake com suas garantias ACID e time travel, e as diferenças entre SQL Warehouses e clusters de propósito geral. A partir daí, partimos para a prática: os participantes criaram seus próprios catálogos e schemas, e ingeriram dados reais da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) — empresas de transporte rodoviário habilitadas e seus veículos — cruzando com uma base de mais de 28 milhões de CNPJs enriquecidos.
A segunda parte do workshop apresentou o Lakeflow — os conectores gerenciados do Lakeflow Connect, a construção visual de pipelines no Lakeflow Designer (com apoio do Genie Code para gerar lógica a partir de linguagem natural) e a orquestração de tudo isso via Lakeflow Jobs, com tasks rodando em paralelo e reduzindo o tempo total de execução do pipeline.
Fechamos com um estudo de caso: a partir de um contexto de negócio real — uma seguradora que precisa priorizar prospecção de seguro de frota para transportadoras — os participantes tiveram que construir, sem passo a passo, as tabelas Gold que respondiam à pergunta de negócio e depois publicá-las no Catalog com a governança correta.
A segunda parte do dia foi sobre um dos temas que mais tem gerado interesse: como construir Genie Agents confiáveis sobre os dados da sua organização. Diferente de um workshop de prompt engineering, o foco aqui foi em curadoria e semântica — o que realmente faz um agente conversacional responder perguntas de negócio com precisão.
Começamos apresentando a “família Genie” da Databricks — Genie One (conversacional multicanal para o negócio), Genie Agents (chats especializados por domínio) e Genie Code (assistente para quem programa) — e o conceito de Genie Ontology como camada semântica compartilhada entre eles.
Usando as mesmas tabelas Silver de empresas e veículos da ANTT, os participantes criaram um Genie Agent do zero e passaram por um exercício muito revelador: testar o agente sem nenhuma curadoria primeiro, para ver onde o modelo acerta por conta própria e onde ele erra de forma silenciosa. A partir daí, fomos camada por camada — instruções de desambiguação, exemplos de SQL, Filters para regras de negócio complexas (como a Resolução CONTRAN 469/2013 sobre categorias de acessibilidade veicular) — mostrando, com números reais, como cada camada de curadoria muda drasticamente o resultado de uma mesma pergunta em linguagem natural.
Fechamos com um desafio de cinco perguntas progressivamente mais difíceis, cada uma escondendo uma armadilha diferente — de valores nulos não tratados a médias distorcidas por outliers — reforçando que construir um agente de dados confiável é, acima de tudo, um trabalho de curadoria contínua.
O Data Saturday em si é gratuito, como sempre foi. Mas para participar dos workshops optamos por um formato diferente: uma inscrição paga, com todo o valor arrecadado revertido em doação. No total, coletamos R$ 1.102 em contribuições, além de diversos alimentos doados que já chegaram na entrada do evento e seguiram direto para quem precisa.
Ficamos muito felizes com o resultado — mostra que dá para unir aprendizado técnico de qualidade com impacto social, sem que um tire espaço do outro.
Nada disso acontece sem o time de voluntários do TIES, do qual tive a honra de fazer parte junto com outros colegas do time DEX, contribuindo como palestrantes e no apoio à organização. São meses de dedicação para que no dia tudo funcione: crachás, salas, equipamentos, alimentação e, claro, o conteúdo técnico entregue com qualidade.
Ver a sala cheia, do início ao fim do dia, debruçada sobre notebooks e catálogos construindo pipelines reais, é a melhor prova de que vale a pena continuar investindo em formatos mais práticos para os próximos eventos. Já estamos pensando no que vem por aí para 2027 — e a régua de qualidade só vai subir.
Até a próxima edição!